Governo do Distrito Federal
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12/06/19 às 18h48 - Atualizado em 19/06/19 às 15h03

?#MetaaColher: “É preciso compartilhar qualquer situação de violência”

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Adriana Machado, da Ascom SSP/DF

 

Lançada em maio pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF), a campanha #MetaaColher, tem o objetivo de convidar a sociedade a repensar se “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. O projeto busca expor o papel de responsabilidade de cada cidadão como engrenagem importante na cruzada contra o feminicídio.

 

Com o slogan “A melhor arma contra o Feminicídio é a colher”, o movimento se pauta em estatísticas levantadas pela Câmara Técnica de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios (CTMHF), da SSP/DF.

 

Como parte da campanha, convidamos a titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), delegada Sandra Melo, para uma entrevista esclarecedora e sobre o que é a violência contra a mulher, como identificá-la e o papel de cada um na luta contra a feminicídio. Confira a entrevista na íntegra:

 

 

Como é possível identificar um relacionamento abusivo?

– A violência contra a mulher possui uma variante que impacta bastante em seu enfrentamento, que é a relação de afeto ou de parentesco da vítima e do autor. Isso compromete muito a percepção da mulher que está vivenciando um relacionamento afetivo ou familiar abusivo. A primeira coisa a ser observada por esta mulher é se as vontades delas estão sendo respeitadas por este possível agressor. Ela precisa avaliar se ela não está se comportando sob o olhar desta pessoa.

 

A atitude de controle que o agressor costuma ter em relação à mulher, como proibir certas atitudes, ou de usar certas roupas, geralmente vem acompanhada ou seguida de agressões morais, como xingamentos, ofensas e desqualificação à condição desta mulher.

 

Este é um facilitador para comprometer a autoestima, o que diminui a capacidade de reagir aos problemas. Infelizmente, o passo seguinte são agressões físicas, que podem começar com empurrões, puxões de cabelo. A tendência é que essas agressões progridam. 

 

Qual a forma mais eficaz de cessar essa violência?

– Não só a denúncia, mas o compartilhamento do que esta mulher está vivenciando com pessoas próximas ou parentes. Quando falamos em denúncia, a vítima já leva em consideração que o agressor será preso e o laço afetivo que ela tem é um comprometedor.

 

Em outros crimes, a vítima é a primeira a querer colaborar, mas nestes casos, a mulher acaba tendo muitas incertezas, inclusive se o que ela está vivendo trata-se de uma violência. Então, prefiro colocar que primeiro ela compartilhe a situação pela qual ela está passando e os perigos que ela corre. É importante que, ao compartilhar esta informação, esta mulher não passe por nenhum julgamento. O que precisamos fazer é ajudá-la a tomar a decisão que ela está preparada para tomar.

 

Se ela estiver pronta para denunciar, as delegacias do Distrito Federal estão preparadas para receber o relato. Caso ela esteja insegura, ela pode procurar outros serviços multidisciplinares do Governo do Distrito Federal, que contam com apoio jurídico, psicológico e social até que ela faça a denúncia, que precisa ser o quanto antes.

 

De que forma a Polícia Civil tem apoiado as vítimas de violência?

– A PCDF, que foi a segunda instituição no país a criar uma delegacia de atendimento à mulher, tem realizado ao longo desses anos ações para que a mulher seja melhor atendida em suas delegacias.

 

Exemplo disso é a determinação da corregedoria da instituição de que todas as delegacias adotem protocolos padronizados e façam mais que o serviço policial, mas principalmente dê atenção à forma que esta mulher será recebida em nossas delegacias.

 

Trabalhamos em três perspectivas: no acolhimento cuidadoso e paciente, na divulgação dos serviços e canais de denúncia da PCDF por meio de campanhas e discutimos, junto dos órgãos da rede de proteção, novas ações e no sentido de coibir qualquer tipo de violência contra a mulher.

 

Existe algum projeto dentro da instituição que tem como objetivo auxiliar as vítimas de violência após o registro nde ocorrência?

A PCDF tem a preocupação de estar além do trabalho polícia, que é investigar o crime e entregar as provas da autoria e materialidade. Entendemos que nossa missão é ainda maior.

 

Temos alguns projetos, como o Lidera, em que lideranças comunitárias são capacitadas para ajudar e orientar mulheres, tanto na prevenção do crime quanto na busca por ajuda. É um projeto que vai ao encontro da campanha da Secretaria de Segurança, o #MetaaColher.

 

Assinamos também um termo de cooperação com o UniCeub para atendimento jurídico e psicológico gratuitos que são feitos na DEAM o Projeto Transforma. Desta forma, podemos damos apoio a esta mulher quando ela nos procura para denunciar um crime. No mesmo projeto, atendemos também os agressores, de forma voluntária. Esta é uma forma de diminuir a tensão e que ele explicar a ele o que está ocorrendo e o sofrimento q ele causou. Queremos também ouvi-lo e explicar as consequências de seus atos.

 

A violência contra a mulher é um problema apenas da vítima?

– Essa questão deixou de ser um problema privado, apesar da maioria dos crimes acontecerem dentro da residência das vítimas. Estes crimes impactam em toda a sociedade. Então, somente conseguiremos reduzir o número de feminicídios quando todos entenderem que devemos sim #MeteraColher. Esta é uma forma de dizermos a toda a sociedade que não iremos mais tolerar que as mulheres sejam agredidas ou sejam mortas.

 

Edição: Lanna Morais