Governo do Distrito Federal
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7/10/20 Ă s 15h19 - Atualizado em 3/11/20 Ă s 18h10

🚹Balanço Segurança PĂșblica: feminicĂ­dios no DF caem quase pela metade em 2020

Adriana Machado, da Ascom – SSP/DF

 

SecretĂĄrio Anderson Torres na Operação Quinto Mandamento no Ășltimo mĂȘs

O Ășltimo levantamento mensal realizado pela Secretaria de Segurança PĂșblica do Distrito Federal (SSP/DF) mostra que o nĂșmero de feminicĂ­dios registrado no acumulado dos nove meses deste ano teve redução de quase 50%. De janeiro a setembro de 2019, 26 mulheres morreram pela condição de gĂȘnero. No mesmo perĂ­odo deste ano, o nĂșmero de mulheres vĂ­timas de feminicĂ­dio caiu para 14.

 

“Os dados revelam que o esforço concentrado da segurança pĂșblica do DF tem surtido efeito positivo. O cenĂĄrio de pandemia nos preocupou inicialmente. Desde o inĂ­cio buscamos alternativas, como a possibilidade de registro de ocorrĂȘncia por meio da Delegacia EletrĂŽnica, e fortalecemos campanhas de denĂșncia e apoio Ă s vĂ­timas, como Ă© o caso da campanha #MetaaColher. Os atendimentos do Provid, que com adequaçÔes Ă  segurança, continuaram a ser realizados”, explica o secretĂĄrio de Segurança PĂșblica, delegado Anderson Torres.

 

No Ășltimo mĂȘs, foram registrados dois feminicĂ­dios no Distrito Federal. JĂĄ em setembro de 2019 seis mulheres morreram vĂ­timas do crime. Outro dado revelado pelo estudo Ă© que em dois meses deste ano – fevereiro e maio – nenhuma mulher foi vĂ­tima de feminicĂ­dio no DF. “Desde o inĂ­cio da nossa gestĂŁo, o enfrentamento a todas as violĂȘncias contra a mulher se tornou prioridade. Fortalecemos a CĂąmara TĂ©cnica de Monitoramento de HomicĂ­dios e FeminicĂ­dios (CTMHF) e, com base em estudos detalhados sobre cada crime, estabelecemos uma estratĂ©gia e direcionamos nossas açÔes”, completa Torres.

 

Segunda maior redução em 21 anos
O nĂșmero de homicĂ­dios registrados em setembro tambĂ©m apresentou redução. O levantamento revela que Ă© a segunda maior redução de homicĂ­dios, e tambĂ©m dos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLI) – que alĂ©m dos homicĂ­dios, englobam tambĂ©m o latrocĂ­nio e a lesĂŁo corporal seguida de morte – em 21 anos.

 

No acumulado do ano, cenĂĄrio de janeiro a setembro, foram registrados 308 homicĂ­dios no DF e, no mesmo perĂ­odo do ano passado, o nĂșmero registrado foi 327, o que corresponde Ă  redução de 5,8%. Desta forma, neste ano, 19 vidas foram preservadas.

 

Para contribuir com a redução desses crimes, hĂĄ dois meses a SSP/DF coordena a operação Quinto Mandamento. Em referĂȘncia ao mandamento bĂ­blico – NĂŁo MatarĂĄs – a operação reĂșne as forças de segurança e outros ĂłrgĂŁos, como a Secretaria DF Legal e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER/DF). “Em 2019 tivemos uma das maiores reduçÔes de homicĂ­dios em 35 anos. PrecisĂĄvamos adotar açÔes especĂ­ficas para que em 2020 tambĂ©m pudĂ©ssemos alcançar resultados semelhantes ou atĂ© melhores”, conta o titular da SSP/DF.

 

A ação ocorre sempre de sexta a domingo em regiĂ”es administrativas previamente definidas, com base em anĂĄlises semanais de inteligĂȘncia e de levantamentos estatĂ­sticos. Em mais de dois meses de operação, quase 2 mil abordagens pessoais foram realizadas e cerca de mil e duzentos veĂ­culos foram revistados. A DF Legal tambĂ©m fiscalizou 383 estabelecimentos comerciais, o que resultou em quase cem autuaçÔes. Cento e vinte e cinco comĂ©rcios receberam equipes do Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF), com orientaçÔes sobre documentação e adequaçÔes Ă s saĂ­das de emergĂȘncia, por exemplo, para prevenir acidentes. Em dois meses, 1.471 servidores participaram da operação em 540 viaturas.

 

Resolução de homicídio
A solução das mortes violentas Ă© um diferencial do Distrito Federal em relação ao restante do paĂ­s – o que coloca a capital federal em destaque com uma das maiores taxas de resolução de homicĂ­dios. A PolĂ­cia Civil (PCDF) conta, diariamente, com o PlantĂŁo ExtraordinĂĄrio de Local de Crime (PEL) – equipe composta por delegado e trĂȘs agentes. A equipe Ă© acionada imediatamente sempre que ocorre um homicĂ­dio e fica responsĂĄvel em proteger o local do crime, colher evidĂȘncias e fazer o isolamento adequado da cena do crime atĂ© a chegada da perĂ­cia.

 

“A equipe Ă© composta por delegado e policiais que aderem ao Serviço VoluntĂĄrio, que passou a ser possĂ­vel na atual gestĂŁo. A corporação tambĂ©m conta com mĂ©dicos legistas e peritos em escala de plantĂŁo, o que Ă© possĂ­vel que um laudo fique pronto muito rapidamente, atĂ© mesmo de madrugada, dependendo da necessidade”, explica o diretor-geral da PCDF, delegado Robson CĂąndido.

 

O detalhamento permite que o inquĂ©rito policial seja ainda mais completo e transparente, nĂŁo deixando dĂșvidas para o JudiciĂĄrio, o que contribui para o julgamento do suspeito. De segunda a quarta-feira uma equipe de plantĂŁo fica responsĂĄvel pelas investigaçÔes. De quinta a domingo, por conta da maior demanda, duas equipes sĂŁo disponibilizadas. Em todos os dias os policiais podem solicitar, sempre que necessĂĄrio, apoio da delegacia mais prĂłxima.

 

Crimes contra o patrimĂŽnio em queda hĂĄ nove meses
Os Crimes Contra o PatrimĂŽnio (CCPs) acompanhados prioritariamente pela SSP/DF – roubos a pedestre, veĂ­culos, transporte coletivo, comĂ©rcio, residĂȘncia e furto em veĂ­culo – apresentaram redução de 30,1%, no perĂ­odo de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o ano passado. Isso significa 10,2 mil roubos e furtos a menos no DF.

 

De acordo com o comandante do Departamento de OperaçÔes (DOP), da Polícia Militar (PMDF), coronel Hemerson Rodrigues, açÔes para coibir esses crimes são feitas com base em anålises de dados produzidos pela SSP/DF e pela corporação.

“Empregamos nossos policiais de acordo com ĂĄreas quentes, ou seja, com maior incidĂȘncia criminal, principalmente nas proximidades de ĂĄreas comerciais, que tem maior movimentação. Os esforços contribuem para recordes de apreensĂ”es de armas, por exemplo. Chegamos a retirar cerca de quatro armas por dia das ruas do DF, mas esse nĂșmero Ă© ainda maior, a depender da ação empregada”.

 

O maior decrĂ©scimo apresentado em setembro deste ano, em comparação com o mesmo mĂȘs de 2019, refere-se ao roubo em transporte coletivo – chegou a 63%. Na sequĂȘncia aparece o roubo em comĂ©rcio (56,6%), o roubo de veĂ­culo (51,9%), o furto em veĂ­culo (45,4%) e o roubo a transeunte (44,5%). Em setembro deste ano foram registrados 16 roubos em residĂȘncia em todo o DF, enquanto que no mesmo mĂȘs do ano passado foram 34 crimes do tipo.

 

No acumulado dos nove meses deste ano, a maior redução foi de roubos em transporte coletivo (37%), seguido dos roubos de veĂ­culos (33,9%), de comĂ©rcio (31,6%), a transeunte (31%) e em residĂȘncia (13,4%). O furto em veĂ­culo apresentou redução de 25,1%.

 

De acordo com o titular da Coordenação de RepressĂŁo aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), da PCDF, delegado AndrĂ© Leite, o Ă­ndice de elucidação de crimes reflete diretamente na redução desses crimes. “A partir do momento que investigamos e prendemos membros de organizaçÔes criminosas especializados em determinado crime, como por exemplo, o roubo de veĂ­culos, temos a redução destes delitos. A PCDF tem um Ă­ndice de elucidação de crimes superior Ă  mĂ©dia do paĂ­s”.

 

É preciso registrar ocorrĂȘncia
O delegado alerta ainda para a importĂąncia do registro de ocorrĂȘncia, nos casos dos crimes contra o patrimĂŽnio. “É muito importante que as vĂ­timas desses crimes registrem ocorrĂȘncias, pois mesmo que o bem nĂŁo seja recuperado, contribui para atuação das polĂ­cias e atĂ© mesmo para a prisĂŁo de organizaçÔes criminosas”.

 

AlĂ©m do registro de ocorrĂȘncia, o delegado chama atenção para as denĂșncias, que podem ser feitas pelo telefone 197 opção 0 (zero), pelo e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br e ainda pelo WhatsApp (61) 98626-1197. “A identidade do cidadĂŁo Ă© preservada e a denĂșncia Ă© encaminhada para a delegacia responsĂĄvel pela ĂĄrea em que o crime ocorreu”, finaliza Leite.

 

Edição: Camila Vidal e João Roberto

Fotos: SSP/DF